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Rodrigo Dadalt

O ano é 2002, me chamo Rodrigo Dadalt, estudante de Direito, 18 anos e recém ingressado na Universidade do Vale de Itajaí em Santa Catarina. Hoje, o ano é 2021, (continuo me chamando Rodrigo Dadalt), Juiz de Direito, com 37 anos anos de idade e com quase 8 anos de exercício da judicatura.

Se a vida fosse um recorte, em que 19 anos se passassem em um resumo de apenas 4 linhas, tudo – aparentemente – seria mais fácil. No entanto, são esses 19 anos de jornada é que fazem cada palavra dessas 4 linhas iniciais valerem a pena e são esses acontecimentos que trago brevemente para vocês.

Quem no seu primeiro dia de faculdade poderia imaginar que, passados alguns (bons) anos desde o ingresso, conseguiria alcançar o objetivo almejado e, melhor, na primeira oportunidade?

Em breve retorno a este momento. Mas, antes disso, necessário contextualizar a trajetória para chegar até ali.

Nunca fui o melhor aluno no colégio. Nunca fui adepto de longas jornadas de estudo. Não fui aprovado em Faculdade Pública, tampouco recebi as láureas estudantis que eram entregues aos melhores alunos do colégio. No entanto, percebi que para alcançar objetivos maiores precisava mudar esses passos, pois se queria colher algo diferente, o plantio também precisa ser diferenciado.

Primeira decisão – e acredito que a mais difícil – foi, no segundo semestre da Faculdade, definir qual seria o meu objetivo com o Curso de Direito. Quase como uma decisão intuitiva pensei na possibilidade de me tornar Juiz. Via nos Códigos com admiração que todos atuavam dentro do processo para que uma única pessoa decidisse sobre tudo que havia sido preparado, o Juiz.

Diante disso, desde o momento que assenti com esse propósito, percebi que para alcançá-lo deveria ir além do ordinário, deveria estar entre os melhores, pois, desde então, sabia que pouquíssimos eram aqueles que eram aprovados no tão temido concurso para a magistratura.

Daí em diante, durante toda a faculdade passei a me dedicar incessantemente para alcançar esse objetivo, até que no ano de 2006 me formei e, na primeira prova, fui aprovado no Exame de Ordem. Em seguida, logo no início do ano de 2007, após processo seletivo, iniciei atividade de Assessor Jurídico junto ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina, motivo pelo qual não procedi com a inscrição nos quadros da OAB, dado meu objetivo de me tornar, futuramente, Juiz.

E durante o périplo de 3 anos desde o início da prática jurídica, dados os dias, noites e finais de semana de muita abdicação, cada vez mais percebia a necessidade de me dedicar cada vez mais, a fim de que não tivesse que passar, novamente, por todas as privações que só aqueles que se submetem com comprometimento a concursos públicos conhecem.

Diante disso, sempre com atenção e religiosa observância ao cronograma traçado, os dias, meses e anos foram se passando até que no início de 2010 foi lançado o tão esperado Edital que deu a largada da última etapa da jornada iniciada lá no ano de 2002.

Pois bem. Retornando então ao curso dessa última etapa, digo de antemão que ela foi mais difícil do que se poderia esperar, pois o concurso, além das agruras próprias dele, foi particularmente difícil, com anulações de etapas, incertezas de datas e, mesmo, se conseguiria tomar posse, fatos que minaram o psicológico de uma forma que pensei em, durante aqueles momentos de incerteza, largar tudo e abandonar o martírio que havia se tornado o concurso.

Contudo, com o alicerce sólido trazido pela família e pela tranquilidade que as verdadeiras amizades proporcionam, cada uma dessas dificuldades foram sendo paulatinamente superadas durante os 3 anos de certame, até que, quando me dei por conta, vi que o planejamento a que tinha me proposto cumprir estava dando frutos, pois vinha sendo aprovado sequencialmente em todas as fases do concurso.

Quanto mais se passavam as fases, mais o medo de colocar tudo a perder se avultava. O medo de ter que recomeçar toda aquela jornada me trazia o medo, mas ao mesmo tempo, a vontade de prosseguir me dedicando cada vez mais para que aquela experiência não precisasse se repetir nos anos seguintes.

Diante disso, com dedicação, planejamento, resiliência e, sobretudo, foco, vi meu nome no dia 29/05/2013 estampado na 2ª posição do Edital que contemplava todos os colegas aprovados naquele longo certame.

Portanto, essa jornada árdua, ao contrário do que possa parecer, foi imensamente gratificante e valiosa. Quando do ingresso no Tribunal Pleno do TJSC e da assinatura do termo de posse, no saudoso dia 7 de junho de 2013, toda aquela caminhada se tornou uma bela e valiosa história que permitiu que cada segundo daquele momento da cerimônia de posse se tornasse mais especial do que naturalmente já seria.

Então, ao fim, digo a todos aqueles que estão dispostos a caminhar pelos mesmos caminhos, que sigam em frente; não desistam; tenham foco e resiliência. Todas as dificuldades que se apresentarão no caminho servirão como apoio para vocês moverem o mundo e alcançarem seus verdadeiros objetivos.

É um prazer e uma honra poder participar dessa preparação e dessa caminhada.

Contem conosco, estamos todos juntos.

Forte abraço.

Rodrigo Dadalt