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João Bastos Nazareno dos Anjos

Meu nome é João e, nessa brevíssima apresentação pessoal, pretendo tão apenas desfiar acerca de uma lição que aprendi no meu itinerário rumo à magistratura.

Fui aprovado em três concursos públicos, sendo dois para o cargo de juiz e um para o de promotor de justiça. Escolhi ser juiz em Santa Catarina, onde estou desde 2013.

Contudo, antes dessas aprovações sofri inúmeros reveses que acredito terem deixado alguns importantes aprendizados.

Hoje, quero falar, basicamente, de verificação da qualidade do estudo, tendo em vista que, para quem almeja a aprovação em concurso público, não é suficiente ficar horas a fio sentado diante de um livro, sem nenhuma preocupação se aquele tempo gerou benefícios palpáveis ou não, isto é, se dali emergiu, de fato, algum aprendizado.

Depois que comecei a frequentemente indagar sobre a eficácia do meus estudos, os resultados em concursos mudaram completamente.

Em verdade, até então, eu sempre fazia o que já tinha feito por toda a minha vida estudantil: adotar métricas equivocadas para aferir a qualidade do meu estudo. Por exemplo, eu fixava as horas que eu tinha que estudar e a quantidade de páginas que eu deveria ler do livro, resumo ou anotações de aula. Isso tudo, sem me atentar para o mais importante: se o conteúdo havia sido apreendido, isto é, com a qualidade do estudo.

Claro que, em muitas oportunidades, percebia que aquele estudo poderia ser mais bem realizado se me atentasse mais à qualidade do que à quantidade, porém, deixava me seduzir pela sensação – adianto, equivocada – que as dezenas de páginas lidas me traziam: a de que o dever estava cumprido.

Evidentemente, o dever não estava cumprido, pois o estudo não era eficaz, na medida em que eu não estava aprendendo a maior parte do que lia, mas meramente passando os olhos pelas páginas dos livros, como se por osmose ou mágica todo aquele conteúdo se incorporasse ao meu repertório jurídico. Daí, 1 hora depois, com as 20 páginas lidas, estaria autorizado a deixar a sala de estudos para tomar um gole de café em paz, com a consciência tranquila.

Acontece que, quando era divulgado o resultado do concurso, a realidade batia à porta e dissipava toda aquela falsa percepção de dever cumprido. A realidade era: eu não tinha aprendido tão bem assim aquelas lições jurídicas lidas ao longo de tantas horas e, portanto, não merecia ser aprovado.

Diante da derrota, a minha única reação era correr para a sala de estudos e continuar a repetir o erro, lendo por horas infindáveis, sem refletir se o que eu estava fazendo era ou não adequado.

O ponto de virada tomou lugar após uma prova da magistratura fluminense, em que, assim que divulgado o gabarito da prova objetiva e eu ter me dado conta de que, mais uma vez, seria reprovado por apenas um ponto, eu decidi que aquilo não mais se repetiria. E, graças a Deus, não se repetiu.

Desde então, cada hora de estudos era sucedida pela seguinte pergunta: “O que eu extraí dessas páginas lidas?”. Despendia alguns minutos refletindo sobre a leitura, construía raciocínios, à guisa de sintetizar em poucas frases o resultado daquela hora de estudo, e valia muito a pena.

Isso porque, após aqueles poucos minutos de reflexão, eu passava a ter um resultado palpável e concreto do estudo, de modo a ter certeza de que a hora de leitura não tinha sido em vão: eu absorvi alguma coisa dali. Mas só isso não bastava.

Em todos os fins de semana, para verificar a qualidade do estudo, realizava questões de concursos pertinentes aos temas estudados ao longo da semana e, não raro, errava indagações sobre assuntos que havia estudado poucas horas antes, o que evidenciava falta de atenção e reclamava mais empenho da minha parte.

Depois de pouco tempo, percebi que aquela nova forma de estudo era muito mais prazerosa e trazia uma segurança que não me acompanhava antes, porquanto, agora eu sabia, de fato, o que estava lendo e não só repetia conteúdo, como antes.

A mensagem que eu gostaria de deixar é bem simples, na verdade, e pode ser assim resumida: observe sua maneira de estudar como se fosse uma terceira pessoa e procure, primeiro, identificar o que há de errado para, num segundo momento, pensar em como suplantar esses equívocos.

Estou certo de que não há um único caminho para a aprovação em concursos públicos, tampouco um segredo guardado a sete chaves.

Acredito em cada um tem um modo próprio de aprendizado, cabendo ao estudante, por meio de um exercício contínuo de autoconhecimento, descobrir como ele aprende melhor. Feita tal descoberta, há que se ter coragem para mudar e por em prática esse novo modo de agir.

O que eu desejo a todas as pessoas que me leem é que tenham a força de vontade necessária para mudar o que tem que ser melhorado e, ao final, que consigam obter a vitória sonhada.

Estou aqui para, ladeado pelos competentíssimos amigos Rogério e Rodrigo, contribuir para a sua aprovação no concurso da magistratura.

Vamos juntos!

Abraços,

João