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Rogério Manke

Um dos clichês mais batidos da Língua Portuguesa – “a vida é uma caixinha de surpresas” – poderia, quem sabe, ser elevada a uma das Leis Universais de Newton, tamanha sua incidência nos planos e projetos elaborados pelas pessoas durante suas passagens pela Terra. E comigo não foi diferente, pois jamais imaginaria que a escolha inicial pelo curso de Engenharia de Automação na Universidade Federal de Santa Catarina sofresse uma mudança de rumo tão radical a ponto de, em meados de 2013, estar tomando posse como magistrado no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

E, no meio desse caminho trilhado entre os anos de 1996 a 2013, muitas surpresas e ajustes aconteceram naturalmente em razão da incidência dessa “lei universal”, exigindo sempre resiliência e fé para não se desistir dos verdadeiros propósitos e valores da vida – porque propósito e valor são elementos inegociáveis – e procurar sempre compreender os ensinamentos das não conformidades dos planos iniciais. Talvez, aqui, se poderia citar uma outra “lei universal” da vida, muitas vezes difícil de aceitar, especialmente no caminhar da vida do concurso público, e que consiste na máxima de que “tudo tem uma razão de ser.”

E, quando falo isso, não o faço em um plano teórico e imaginário, mas em uma realidade concreto, palpável e mensurável de um caminhar acadêmico iniciado em 1996 com o ingresso no curso de engenharia e que, ao longo de quase duas décadas, passou por mudanças que exigiram perseverança e superação constantes. Nesse caminhar, no qual o curso de Engenharia de Automação deu lugar ao curso de Administração e de Direito (ambos cursados de forma concomitante), iniciei minha vida profissional como Analista da Justiça Federal em Joinville/SC no ano 2004 e, posteriormente, como Promotor de Justiça no Paraná em 2009, além de vivenciar 18 reprovações – somado todos os concursos feitos – até a aprovação como magistrado em 2013.

Hoje, olhando para trás de uma forma mais en passant, até parece que as quedas foram tranquilas e sem muita importância, mas ao recordar com detalhes desses percalços relembro com clareza o tipo de angústia e frustração geradas – cada queda tem seu impacto de acordo com o momento de vida em que ocorre. Mas, por outro lado, são esses momentos que, ao longo do caminho, fortalecem não só o candidato, mas o homem e a mulher por trás do candidato, tornando-o mais forte, resiliente e preparado para a etapa seguinte.

E, como um passe de mágica – mas de mágica não tem nada, pois tudo vem do esforço e da técnica empregados – em um belo dia, abre-se a relação final de aprovados e finalmente encontramos nosso nome na lista. Lembro como se fosse hoje meu pai, com lágrimas nos olhos e a voz embargada, me dando um abraço profundo e guardado por anos no dia em que meu nome apareceu na lista dos aprovados no Concurso de Promotor de Justiça do Paraná – abraço que só um pai e uma mãe sabem dar.

Assim, amparado no aprendizado dessa história comum e que se repete diariamente – mudando apenas o enredo mas com o mesmo final – e no exercício do magistério por mais de oito anos (os últimos seis no IPMagis)-, trago essa experiência técnica e humana aos cursos ministrados objetivando oferecer a melhor solução possível em cada conteúdo ministrado.

Estamos juntos!

Um fraternal abraço.

Rogério Manke